Uma reflexão a partir da entrevista com o escritor Knud Romer, sobre o documentário “Uma Folha Cai do Céu: o ostracismo do idoso no primeiro mundo”.
Depois de assistir uma entrevista com o escritor, Knud Romer, a respeito do seu documentário Uma Folha cai do Céu: o ostracismo do idoso no primeiro mundo ( http://youtu.be/S09zpRXm1U8 via @youtube) que fala sobre a realidade dos idosos no “primeiro mundo” comecei a refletir sobre as crises vividas pelo homem e o atual espaço do idoso na instituição família.
Se aqui no Brasil atravessamos um período turbulento por conta de uma avalanche de dificuldades em áreas como economia, educação, saúde e segurança, sendo todas derivadas de uma cultura permissiva enraizada em nossa sociedade, o que pensar sobre a franca decadência de valores morais que assolam o mundo?
Parece que vivemos diante de um abismo e estamos a um passo de um grande mergulho no escuro e na mais completa ignorância instalada pela falta de educação de base, do comprometimento da família e da comunidade com o desenvolvimento integral do ser humano.
Sem o educar para o exercício da cidadania o indivíduo não conhece seus direitos, nem tampouco seus deveres. Como prejuízo os limites entre o público e o privado não ficam claros. É a partir dessa confusão que o caos se instala, e o homem não consegue se apropriar devidamente de seu papel na sociedade.
Cada indivíduo tem o seu destaque dentro da família e é fundamental para a riqueza da diversidade das relações humanas. Por isso uma pessoa, independentemente de sua idade, deve ser respeitada e admirada por suas contribuições para com o grupo.
No caso do documentário citado anteriormente o que nos chama atenção é como que um país, onde o nível cultural é altíssimo, lida de uma forma tão distante e fria com algumas questões sociais, como com os idosos abandonados em asilos ou hospitais em seus últimos anos de vida.
O dinamarquês Romer teve a ideia de registrar os últimos dias de vida de seu pai, internado em uma clínica especializada na terceira idade, e que acabou virando um documentário. Material este que ele usa para abordar um tema tão real nos países desenvolvidos: o destino da terceira idade.
O olhar atento do autor para tal problemática abre espaço para a reflexão sobre a fragmentação da família no século XXI levando-o a concluir que o sentido da palavra família está muito desgastado.
Assim como os bebês, as crianças e as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, os idosos são marginalizados por não “contribuírem” para a sociedade capitalista, pois não geram lucro. São vistos como um peso, um fardo e colocados de lado para que não atrapalhem. Ninguém tem tempo para cuidar deles. Ficam assim desintegrados e desinteressados da sua própria existência.
Para Romer os moldes atuais da sociedade privilegiam apenas o indivíduo que possa dar lucro, já que os valores atuais estão centralizados no trabalho, eficiência e dinheiro.
Nós, brasileiros, gostamos de comprar e usar importados, inclusive sentimos a necessidade de imitar o estilo de vida da população das grandes nações capitalistas. Mas embora sejamos afetados por uma crise moral mundial, não podemos nos afastar da nossa essência, de ser um povo acolhedor e ligado aos valores da família.
A família é um valor importante para nós, por isso mesmo não devemos abrir mão dela. Temos espaço para pais e filhos, mas também para avós, tios, primos e até para os agregados. Mesmo as recentes mudanças na composição familiar só fortalecem a necessidade da convivência entre todos os entes familiares. Em suma é em casa que abrimos as portas para o diálogo podendo exercitar a democracia, além de aceitar as diferenças.
Há que se desenvolver o espírito de tolerância com todos: idosos, crianças e portadores de necessidades especiais também. Quanto mais estendermos os laços de afeto para as pessoas em nossa volta, mais humanos de primeira qualidade seremos, seja lá em que mundo for, primeiro, segundo, terceiro…
Quem sabe se ressignificarmos o conceito de família sairemos mais conscientes e despertos desta crise moral em que nos encontramos e poderemos servir de exemplo para as chamadas nações desenvolvidas.

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