Poesia – Despedida

Por favor não me calem. Soltem minha voz Para que eu possa gritar. Mesmo rouca e cansada, Quero ouvir o som abafado ecoar. Parem os carros. Deixem-me passar. Não me impeçam de atravessar. Apaguem as luzes. Cubram o céu. Apenas por um momento. Um só minuto eu peço… Mas a vida continua E ensina que…

estrada

Por favor não me calem.

Soltem minha voz

Para que eu possa gritar.

Mesmo rouca e cansada,

Quero ouvir o som abafado ecoar.

Parem os carros.

Deixem-me passar.

Não me impeçam de atravessar.

Apaguem as luzes.

Cubram o céu.

Apenas por um momento.

Um só minuto eu peço…

Mas a vida continua

E ensina que não pode esperar.

Segue seu curso

E não nos permite voltar.

Sei que a dor será curada

Por uma força redobrada

Que dentro de mim nascerá.

Hei de sobreviver à madrugada.

Talvez retalhada,

Mais opaca.

Tingirei a vida com poucas cores,

Levarei comigo alguns dissabores.

Agora despeço-me do meu filho

Com um nó na garganta,

Uma dor apertada,

E ando depressa

Sem me arrepender do que fiz.

Falei coisas que não queria escutar,

Mas lhe ofereci aconchego.

E o amei todos os dias de sua vida

E ainda continuarei a amá-lo

Todos os dias da minha.

Lembrarei do seu jeito maroto

E manso de ser.

Do seu abraço gostoso.

Dos seus olhos vivos.

Guardarei seus cabelos prateados,

Seus retratos…

 Será sempre meu filho amado!

2 respostas

  1. Avatar de dorival mignanelli
    dorival mignanelli

    Cris,

    Parabns !!!

    Linda esta Poesia !!!

    Bjs

    Mignanelli

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