Por favor não me calem.
Soltem minha voz
Para que eu possa gritar.
Mesmo rouca e cansada,
Quero ouvir o som abafado ecoar.
Parem os carros.
Deixem-me passar.
Não me impeçam de atravessar.
Apaguem as luzes.
Cubram o céu.
Apenas por um momento.
Um só minuto eu peço…
Mas a vida continua
E ensina que não pode esperar.
Segue seu curso
E não nos permite voltar.
Sei que a dor será curada
Por uma força redobrada
Que dentro de mim nascerá.
Hei de sobreviver à madrugada.
Talvez retalhada,
Mais opaca.
Tingirei a vida com poucas cores,
Levarei comigo alguns dissabores.
Agora despeço-me do meu filho
Com um nó na garganta,
Uma dor apertada,
E ando depressa
Sem me arrepender do que fiz.
Falei coisas que não queria escutar,
Mas lhe ofereci aconchego.
E o amei todos os dias de sua vida
E ainda continuarei a amá-lo
Todos os dias da minha.
Lembrarei do seu jeito maroto
E manso de ser.
Do seu abraço gostoso.
Dos seus olhos vivos.
Guardarei seus cabelos prateados,
Seus retratos…
Será sempre meu filho amado!

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