Este filme considerado “cabeça” é tão “cabeça” que não faz sentido algum para a minha “cabeça”. Pelo menos os diálogos são completamente malucos. Mas talvez o diretor quisesse expor o mundo sem sentido em que vivemos hoje. As pessoas não se escutam e somente enxergam o outro como seu próprio reflexo.
O personagem principal Eric Packer, interpretado por Robert Pattinson, passa praticamente o filme inteiro dentro de uma limusine imaginando que alguém irá assassiná-lo! A história torna-se enfadonha e claustrofóbica.
Nova Iorque é o cenário mais que perfeito para esta produção que, devido ao trânsito da cidade, torna-se fundamental para a história, já que Eric passa o filme inteiro tentando cruzá-la. A famosa ilha de Manhattan, que está sempre cheia de turistas e pessoas importantes do mundo inteiro, prepara-se para receber o presidente dos EUA neste mesmo dia. Daí o porquê de tamanho alvoroço.
Packer, é um magnata do mundo financeiro que, de sua limusine observa o caótico trânsito enquanto gerencia sua agenda e aproveita para receber os personagens com quem tem assuntos pendentes a tratar. Mas, neste dia, tudo que ele mais deseja é chegar do outro lado da cidade para cortar o cabelo em uma antiga barbearia.
Vemos vários personagens, um por vez, no carro de Packer, que por alguma razão precisam conversar com ele. Num ritmo profissional e com bastante frieza e objetividade, ele atende a todos sem sair da limusine, inclusive aonde acontece até mesmo um encontro sexual. Bem, isto não é lá nenhuma cena inédita no cinema. Mas e que tal a realização de um exame médico dentro de um carro? Do exame não tenho nada a comentar, já a cena em questão entra para os anais das mais bizarras da sétima arte.
David Cronenberg, o diretor desta produção, segue investindo numa temática mais crítica à sociedade de hoje e aponta para a cultura do consumismo e o império capitalista como os grandes vilões do século XXI. O próprio Eric Packer simboliza esta cultura ocidental fracassada da supremacia do TER sobre o SER.
Robert Pattinson pode se considerar o galã mais vampiresco dos últimos tempos. A diferença é que, em Cosmópolis, ele troca de lado, pois enquanto na saga Crepúsculo ele era um vampirinho do bem e apaixonado, agora ele é do mal e não tem coração. Não deixa de ser um vampiro, mas no sentido figurado, pois desta vez não bebe o sangue das pessoas, e sim as usa para enriquecimento próprio, através da condição de empregador explorando seus empregados.
No final do filme, Eric chega à barbearia onde tanto queria ir. A relação dele com o barbeiro pode ser interpretada como o único traço de humanidade de seu personagem, que está mergulhado na selvageria do capitalismo, como retrata Cronenberg. Mas ele terá que enfrentar o ódio de um antigo empregado, o ótimo Paul Giamatti, que aparece na barbearia e com a intenção de matá-lo, não sem antes haver um forte embate entre os dois.
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FICHA TÉCNICA
Título original: Cosmopolis
Diretor: David Cronenberg


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