Ensino de qualidade é o que queremos, não o que temos.
Para falar de qualidade no ensino precisamos primeiro discutir sobre como é definido o currículo a ser seguido por uma instituição educativa. Bem, a elaboração deste currículo fica ao encargo do Governo federal, que então formatou um documento visando à orientação das atividades em sala de aula. Assim, chegamos aos PCN (Paramêtros Curriculares Nacionais) que funcionam como uma referência de qualidade para os objetivos, conteúdo e didática de ensino aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio de todo o território nacional.
A partir destes parâmetros, cabe à cada instituição educativa definir sua proposta pedagógica, obviamente que adaptações de conteúdos à realidade da região em que a instituição está inserida são necessárias e, portanto, respeitadas.

Apesar desse embasamento teórico que foi dado à Escola, visando à melhoria da Educação no século XXI, não há como negar que o caminho para alcançar esta meta ainda é longo. Sabemos que os problemas no ensino nacional foram amplamente identificados e estudados. Mas, então, o que falta para que passemos da teoria para a prática de um ensino de mais qualidade?
Vamos nos ater ao ensino superior e avaliá-lo especificamente. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) temos um índice de 38% de alunos do 3º grau em todo o país que não dominam habilidades básicas de leitura e escrita. Este alto índice vem apenas corroborar o fato de termos um número crescente de universidades de baixa qualidade. É possível entender que por conta desta triste realidade, as universidades procurem se adequar ao nível dos alunos que recebem. Ou seja, há um nivelamento por baixo.
Infelizmente os investimentos na qualidade de ensino ainda são insuficientes para promover um domínio satisfatório das habilidades mais básicas como ler e escrever. Muitos dos projetos não são realmente integrados na vida escolar e acabam não saindo do papel, ou então, precisam ser adaptados aos poucos recursos disponíveis para a Escola. E desta forma ficam prejudicados.
As desculpas são as mais diversas, mas sabemos que o que falta é que as verbas destinadas para tais projetos cheguem ao seu destino de fato e dentro do prazo de tempo determinado. E principalmente haver boa vontade dos envolvidos, bem como o comprometimento destes, para que as coisas funcionem. É claro que muitas vezes a própria burocracia impede que os projetos evoluam, pois o tempo que se perde para o seu desembaraço acaba não compensando o esforço.
Há que se olhar por outro ângulo da história também, vamos dizer, pelo lado capitalista. A instituição de ensino, especialmente a faculdade particular, vista hoje como uma empresa, precisa prioritariamente dar lucro. Para isso trata o aluno como o seu cliente. E na negociação comercial, em que o cliente paga por um serviço, aqui temos o aluno pagando pelo diploma.

E por que o diploma vira sonho de consumo? Porque um diploma confere ao aluno mais status e segurança na hora de conseguir um emprego melhor. E será que isto é verdade? Bem, o marketing em torno desta questão é forte. Os cursos são vendidos como pacotes; existe até a versão, que podemos chamar de Fast Study (numa alusão ao Fast Food) para quem tem pressa ou poucos recursos financeiros, aonde são oferecidos ao aluno cursos abreviados de dois anos. Quer dizer, há várias opções no cardápio.
Ou seja, mais uma vez, a qualidade é colocada em segundo plano. O grande apelo é a conquista de um diploma. Claro, que isto é muito interessante aos empresários da área de Ensino, pois podemos observar o crescimento das faculdades e universidades particulares. Virou um ótimo negócio.
Na prática ter um diploma pode abrir uma porta talvez. Mas como mantê-la aberta sem a devida preparação, sem o desenvolvimento de habilidades necessárias?
Há muito que refletir e mais ainda por fazer na Educação. Ponderar qual o melhor caminho a seguir se queremos profissionais capacitados que atendam as demandas do mercado.
Sabemos que a base é essencial, pois o problema vem antes do ingresso do aluno à faculdade. E voltamos ao princípio, a urgência em sanar as dificuldades no domínio das habilidades básicas para todos os alunos. Algumas propostas são interessantes, como oferecer cursos técnicos de Ensino Médio na escola pública. Um ensino que fosse mais forte e ao mesmo tempo focado em uma área, assim o aluno seria direcionado para um setor do mercado com uma profissão e com condições de ter um salário melhor.
A questão agora é sair do nível teórico e dar um passo em direção à ação concreta. Não podemos esperar mais. Não dá para sonhar com a Copa em 2014 e receber os turistas internacionais falando um inglês básico, se muitas vezes nos falta um português mínimo.
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