SUPERAÇÃO
Nascemos. Crescemos. Morremos. E assim cumprimos o nosso ciclo de vida aqui na Terra dentro do nosso prazo de validade.
Não há como alterar a ordem dos acontecimentos. Estão pré-fixados. No final das contas, só importa como lidamos com os acontecimentos, a forma como encaramos as vicissitudes da vida.
Para encararmos os momentos mais difíceis, contamos com a nossa capacidade de superar as perdas e irmos em frente. Este atributo é totalmente subjetivo, e cabe a cada um de nós escolher usar ou não, desenvolver ou não a flexibilidade e resistência face às adversidades da vida.
Muitas vezes duvidamos da nossa própria capacidade. Não conseguimos acreditar que as adversidades podem nos fortalecem e preferimos pensar que seria impossível reconstruir nossas vidas.
Transformar um fato negativo em uma aprendizagem importante exige um grande esforço, enseja uma grande aliada da superação, a resiliência, a nossa capacidade de de darmos a volta por cima sem perdermos o foco naquilo que verdadeiramente nos interessa.
Existem pessoas corajosas que viram um exemplo a seguir. São pessoas movidas pela fé, e que não desistem de transpor qualquer que seja o obstáculo. São seres humanos comuns, mas muito especiais na medida em que nos ensinam que toda a dor passa, que tudo acaba, mas que enquanto não se esgota o nosso tempo por aqui podemos dar ao mundo o nosso melhor.
Quero apresentar a vocês uma dessas pessoas que foram em frente e que descobriram vários motivos para nunca desanimar. Esta é Monica.
Monica de Oliveira Anderson. Paulistana de nascimento, mas santista de coração. Hoje aos 40 anos, casada, mãe de três filhos, de dezenove, doze e nove anos, faz uma retrospectiva de sua história e sabe dar a dimensão real aos fatos de sua vida. Entende que tudo foi importante para o seu crescimento.
Há quase 10 anos quando estava amamentando o terceiro filho, na época com 4 meses, achou um gânglio grande no pescoço do lado direito. Na hora sentiu que era algo muito sério, até mesmo um câncer. Mas estava tão fragilizada que não tinha coragem de contar para ninguém e muito menos de procurar um médico. Tinha passado por uma grande perda recentemente. Sua mãe havia morrido de câncer no intestino fazia menos de um ano, e a cicatriz provocada por este sofrimento ainda estava muito exposta e dolorosa.
Depois de três meses, numa visita de retorno a sua ginecologista, resolveu mostrar a ela o achado. A médica mandou que fizesse urgentemente exames de sangue e ultrassonografia de tireóide, pois dois gânglios já estavam facilmente palpáveis.
Foi necessária uma biópsia feita por um especialista de cabeça e pescoço. Um procedimento muito dolorido para Monica, realizado sem nenhum anestésico. O resultado confirmava as suas previsões. Era um carcinoma. O nome era assustador. Um sinônimo de morte.
O diagnóstico caiu como uma bomba para Monica. Sua ginecologista, Dra. Flavia Kronfly, foi muito importante para ela, dando apoio e tranquilizando-a. O marido, Richard, também estava ao seu lado disposto a ajudá-la em tudo.
O pior era pensar nos três filhos, dois meninos pequenos e um bebê. Queria também entender o que tinha feito de errado para estar tão doente. Sentia-se culpada por ter câncer.
Após todos os exames feitos e cientes do estádio da doença de Monica, os médicos decidiram pela cirurgia para a retirada da tireóide e um tratamento posterior à base de iodo radioativo. Ela, então, preparou o espírito de todos como pôde, inclusive comprou um cão filhote labrador para entreter as crianças.
Naquele momento só queria se livrar dos nódulos, e por isso aceitou a cirurgia sem resistência. Foram retirados, além da tireóide e parte da paratireóide, 30 linfonodos, sendo que mais de 20 estavam comprometidos.
Já mais tranqüila, com 40 dias pos-operatório, intervalo totalmente necessário dentro do protocolo para este tratamento, fez radioiodoterapia no hospital.
Ficou 4 dias internada e completamente isolada recebendo iodo radioativo na dosagem mais forte por conta do estádio avançado da doença.
Depois da alta, não pôde ir direto para sua casa para não expor as crianças à radiação que ainda emanava. De início sentiu o paladar muito ruim e a sua voz estava bem afetada, mas aos poucos tudo voltou ao normal.
Desde então precisa tomar diariamente um remédio que repõe o hormônio tiroidiano. Faz também exames regulares, algo que já virou rotina em sua vida e que é considerado normal para ela.
Perguntei à Monica qual a mensagem que ficou para ela desta fase.
Quem me respondeu foi uma linda mulher, de olhos verdes, afirmando que a gente precisa ter fé. Hoje muito mais segura de si, tirou uma grande lição deste capítulo, que uma doença séria pode ser um motivo de renovação na sua vida, uma oportunidade de se conhecer. E também descobrir as pessoas que estão ao seu lado.
Este pode ser o momento da sua Virada. E que apesar do susto, ou por ele mesmo, enxergar “o valor que a vida tem”, o valor do ser humano.
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