Henry: uma moeda de troca

O caso do menino Henry Borel, que nos tocou profundamente pela crueldade e perversão com que sua vida foi tirada, ainda nos choca pelos passos dos acusados do crime na reconstituição dos eventos tanto antes como após o falecimento do garotinho. Um misto de emoções invadiu nossa vida a cada informação dada, nas últimas semanas,…

O caso do menino Henry Borel, que nos tocou profundamente pela crueldade e perversão com que sua vida foi tirada, ainda nos choca pelos passos dos acusados do crime na reconstituição dos eventos tanto antes como após o falecimento do garotinho.

Um misto de emoções invadiu nossa vida a cada informação dada, nas últimas semanas, pelos noticiários brasileiros ao narrar a cronologia dos eventos e os detalhes envolvidos nessa história.

Estamos estupefatos assistindo a frieza com que a mãe e outros parentes lidaram com o caso de tortura contra o pequeno Henry, que se transformou em uma história anunciada de homicídio.

Justamente quem mais deveria proteger o menino, a mãe dele, negligenciou os atos de agressão do padrasto em relação a Henry, o que por si só já seria criminoso e sinalizaria que providências deveriam ter sido tomadas pela ela.

É um caso de grande comoção nacional, primeiro porque vivemos em meio às incertezas e durezas impostas pela pandemia do COVID-19, o que também contribui para que estejamos mais sensíveis e rodeados por tanta miséria. E principalmente por se tratar de uma criança que foi brutalmente assassinada dentro de sua casa por adultos que deveriam protegê-la. Não dá para acreditar!

Agora, acomodados durante mais horas do dia (por conta da pandemia) em nossos sofás, pudemos ler e assistir todos os pormenores de um caso horrível, que nos revela a face podre de uma sociedade narcisista e superficial representada com maestria pela mãe do pequeno Henry, morto pelo padrasto aos quatro anos de idade, com o consentimento da própria.

A pergunta que nos assombra é: por que uma mãe prefere se calar e não abandonar uma pessoa que representa uma ameaça ao seu próprio filho?

No caso em questão, a mãe, Monique Medeiros, professora, teve chances de entregar o filho ao pai biológico, ou procurar uma medida legal para resguardar a criança. Esse era o papel da mãe. O esperado. O lógico.

A vida de Henry mudou muito em poucos meses como consequência da separação dos pais…bem, a vida deve seguir… É compreensível que a pessoa (Monique) quisesse mudar de casa, assumir um novo relacionamento, ter um novo emprego, desde que seu filho permanecesse em primeiro lugar. Ela deveria garantir à criança um lugar seguro, de acolhimento, de confiança. Mas infelizmente não foi o que aconteceu.

Monique conheceu Jairinho em agosto de 2020. Logo em seguida se envolveu com ele, e foram morar juntos com apenas dois ou três meses de relacionamento, em janeiro de 2021. Em tão pouco tempo ela expôs seu próprio filho à convivência com um estranho, mas que já dava sinais de ter um comportamento violento, segundo vários fatos apurados pela polícia que atua neste caso.

Nessa história está claro que as prioridades da mãe, suspeita do crime juntamente com o novo marido e padrasto de Henry, eram outras. O seu novo relacionamento, no mínimo tóxico, tinha uma dinâmica de muitas brigas e instabilidade. Os motivos das brigas entre o casal podem ser ainda desconhecidos, mas já é confirmado que a mãe tinha plena ciência de que o seu filho era agredido com frequência pelo marido, Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, vereador carioca.

Dr. Jairinho, como é conhecido no Rio de Janeiro, homem de família influente em sua região, podia proporcionar à Monique uma vida com mais luxos. E foi assim que a professora, seduzida por uma vida de maior conforto material, acabou negligenciando seu filho.

As ações de abuso e agressões de Jairinho contra a criança eram narradas para Monique e documentadas pela babá da criança. Jairinho tem um histórico de violência contra crianças e mulheres e uma predileção por manter relacionamentos com mulheres com filhos pequenos. Mesmo assim a mãe não manteve o vereador longe de Henry.

Monique, uma professora, ex-diretora de escola pública, que recentemente havia mudado de trabalho, e com isso um ótimo upgrade salarial, parecia acompanhar exatamente tudo que se passava com o seu filho. Henry se transformou em um trunfo nas mãos da mãe.

Ao que parece, Monique pensou que estivesse no controle de toda a situação, já que contava com a babá e a empregada narrando para ela todos os acontecimentos envolvendo a criança. Talvez fosse interessante ter o filho junto dela como um chamariz para manter o casamento com Jairinho, e desta forma continuar a obter vantagens financeiras e sociais proporcionadas por esta nova vida.

Nesta triste história Henry foi usado como moeda de troca no novo relacionamento de sua mãe, que percebeu o interesse doentio de Jairinho pelo menino. Tanto é que o vereador chegava mais cedo em casa de “surpresa”, quando Monique não estava, e se trancava no quarto com o menino. Isto simplesmente não poderia ter acontecido. A mãe sabia de tudo e se calou. Quem cala, consente.

O desfecho acabou sendo o pior possível. O pai da criança, Leniel Borel, chorando a morte de seu filho. Sem entender como Henry, um anjinho de quatro anos, morreu repentinamente. O pai, sempre preocupado e também presente na vida do pequeno não pôde fazer nada para impedir, já que a ex-mulher e parentes próximos afirmaram que não estava acontecendo nada de errado, quando ficou desconfiado de algumas atitudes do padrasto. Não teve tempo de conhecer a verdade antes da tragédia. Foi o último a saber. Talvez o único a chorar lágrimas verdadeiras.

Brilhe muito estrelinha Henry

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.