É exaustivo, para dizer o mínimo, ter que seguir os padrões impostos pela sociedade… padrão social, de beleza, de comportamento, e até de felicidade… é como uma cartilha regimentada para massificar as pessoas tornando-as parecidas entre si, padronizadas, normatizadas.
Os padrões nos aprisionam em um lugar fantasioso, e por muitas vezes, inalcançável. Por ser tão difícil atingir tais modelos preestabelecidos, muitos de nós acabam frustrados, sentindo um vazio imenso por não conseguirem cumprir a meta traçada com base nesses padrões. São vistos como derrotados e comportam-se como vítimas da sociedade.
A qualidade de vida é mensurada por indicativos puramente materiais. O que importa é ter, ou pelo menos, aparentar. Quem não quer morar no melhor local da cidade (o mais caro)? Ou ter um emprego dos sonhos (ganhando muito)? Ou ainda viajando pelo mundo tirando as mais inusitadas selfies (postando-as imediatamente na mídia)?
Quem não puder seguir a cartilha do “estilo de vida século XXI” está fora do mercado atual. O perfil da pessoa de sucesso é ser politizado e politicamente correto o tempo integral. É preciso ter opinião, e essencialmente, ter razão sobre tudo. Razão no trânsito, com o vizinho, com o gerente do banco, e principalmente, nos comentários dos amigos nas mídias sociais.
A juventude passou a ser supervalorizada. E mesmo que contradiga a data de nascimento no R.G., o importante é aparentar jovem. Aqui os fins justificam os meios: vale esticar a pele toda, preencher os buracos e colocar fios de sustentação aonde for preciso, no rosto e no corpo, desde que siga o mantra “seja uma balzaquiana ou um trintão para o resto da vida”! E, olha, que a vida está cada vez mais longa!
O grande risco é que essas pessoas acabem adoecendo, podendo até perder o contato consigo mesmas, já que a busca pelo modelo de vida imposto está distante dos verdadeiros anseios de uma alma humana. O “ser” está muito além do “ter”. E se apenas alimentarmos o “ter” em detrimento “ser”, a vida não se aprofunda no essencial, o ser humano não evolui.
Precisamos encontrar um jeito de viver em paz com as nossas imperfeições, tentando fazer o melhor que pudermos, mesmo com as nossas falhas. Afinal, somos todos humanos. Talvez se desenvolvêssemos em nós a qualidade da empatia seria mais fácil entender o outro. Ao invés de olharmos para o próprio umbigo, daríamos menos importância ao fato de ter que ter a palavra final em todas as falas, e finalmente poderíamos nos libertar dos padrões tão escravizantes como os que nos cercam atualmente.

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