As baladas de pop rock do grupo Titãs entraram na minha vida nos psicodélicos anos 80, época da minha adolescência. A fase de rebeldia em que viver intensamente significa desafiar os pais apenas pra ser diferente. E apesar de toda a loucura, até mesmo para os Titãs foi importante falar sobre família em suas canções… sabe aquela história do “falem bem ou mal, mas falem de mim”?
O certo é que o tema família é atemporal e desperta acaloradas discussões. Tem quem aceite isto ou aquilo… tem a turma mais tradicional, e tem também os que não querem se comprometer e preferem não dar uma opinião. Mas quando o assunto é família não dá para negar as mudanças pelas quais ela vem passando.
Hoje respiramos a pluralidade e devemos respeitar a diversidade, portanto não nos cabe mais aceitar ideias preconcebidas. A família atual tem várias possibilidades de formação. O tradicional modelo familiar, pai-mãe-filhos, é apenas uma entre tantas opções, e todas são válidas e validadas pelos laços de afeto que unem seus membros.
Os valores da família estão sendo ressignificados, e neste contexto mais democrático há espaço para todas as famílias. O fundamental é que cada pessoa encontre o seu papel e possa se comprometer com ele.
Existem famílias chefiadas apenas pelo pai ou pela mãe. Ou ainda pelos avós e pelos tios. O que importa é que ela consiga se organizar e funcionar de acordo com suas crenças e estilo de vida.
Uma família também pode ser composta por duas mães (mulheres) ou dois pais (homens), ou seja casais do mesmo sexo, que têm dado exemplos de civilidade para a sociedade. Assumir uma posição não é fácil, e com certeza quem o faz está mostrando a sua verdade, dando um grande exemplo de integridade e coragem aos filhos. Algo que ainda hoje pode custar caro.
Essas pessoas corajosas, que não aceitam viver de acordo com as convenções sociais mais antiquadas e acabam por expor a realidade de suas vidas, encontram na própria família a segurança necessária para viver, ou não. A sua família pode não aceitar certas condições e criar conflitos e afastamentos. E assim as mágoas vão inviabilizar uma convivência familiar que deveria ser saudável.
É muito difícil enfrentar a estrada da vida sozinho. O ser humano procura, então, reconstruir seus laços familiares. E por isso mesmo está cada vez mais comum ver famílias que se separam e depois formam outras abrindo espaço a diversos novos membros familiares, como madrastas, padrastos, meio-irmãos e enteados.
Há quem prefira eleger sua família por uma questão de afinidades. Um grande amigo que vira irmão de coração. Um conselheiro que está sempre disponível para nos guiar pode ser o pai que precisávamos ter. Um filho que chega após a travessia de um longo processo de adoção. E assim por diante.
O importante é que o conceito de família seja reinventado sem perder de vista o seu valor como célula mater da sociedade. Valor, que tem passado por altos e baixos, mas que ainda se mantém, às custas de muitas polêmicas, sagrado para muitos. O que ninguém quer é ficar sem família. Nem mesmo os meninos dos Titãs, hoje meus cinquentões favoritos, que constituíram as suas próprias, sabem que depois de muitas noites pelas estradas deste mundo afora, nada é melhor do que voltar para casa e encontrar a sua família!
Família! Família!
Papai, mamãe, titia
Família! Família!
Almoça junto todo dia
Nunca perde essa mania…
(trecho da música Família dos Titãs)

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