Precisamos rever conceitos. Ampliar horizontes. Aceitar o outro como ele é, e não como achamos que ele deveria ser. São os tempos mais arejados… Onde não há espaço para que sejamos – ou continuemos – escravos das regras sociais e dos padrões engessados de comportamento. A diversidade é a realidade, e o que é “normal” deve ser no mínimo reavaliado.
É claro que dar conta de tantas novidades não é tão simples assim… São processos pelos quais precisamos passar. Para isso podemos contar com uma grande ferramenta de transformação: a Educação. E o caminho a ser trilhado começa em casa tendo os pais como protagonistas e os filhos como seus grandes observadores e imitadores.
Acredito que dar depoimentos possa fazer os leitores – o público em geral – refletir sobre temas polêmicos. Um tema recorrente, que parece não sair do cardápio do “vale a pena ver de novo”, é o machismo. A atriz, Samara Felippo, que é mãe de duas garotinhas, Lara e Alicia, desabafou em seu perfil no Instagram, sobre um episódio em uma “área kids”, que evidencia o mundo machista em que vivemos, e que está longe de deixar de ser…
Neste episódio, identifica-se claramente o machismo em uma versão mirim, mas com um potencial agressivo e destruidor de uma cultura onde a igualdade de direitos entre os sexos passa longe, ainda que o menino mencionado na história de Samara Felippo esteja apenas repetindo o que ouviu em casa, ou seja, sem compreender o significado de machismo.
Eis o depoimento da atriz na íntegra:
“Tive um exemplo clássico dias desses numa “área kids” da vida com as minhas filhas. Aparentemente um “espaço kids” normal. Quando entrei na salinha das meninas, havia um fogão, uma pia, tábuas de passar e prateleiras com ferrinhos rosas de passar roupa. Educadamente fui saindo dali, tirando Lara dali. Na saída, ela senta num carrinho e entra. Um menino de uns 3 anos chega logo em seguida empurrando e querendo tirá-la dali. Eu, educadamente, lhe disse: ‘Tire as mãos dela seu machistinha de merda!’ Não, brincadeira.
Eu falei, carinhosamente: ‘Ei, calma! Um de cada vez. Ela já vai sair e aí você brinca, tá bom?’ O menino resmunga: ‘Mas por que ela está aí? Ela é menina!’ Juro que ele disse isso. Eu devia ter ficado com a primeira opção. Rsrs. Mas é basicamente isso que tento falar. 97% das princesas são submissas e nossas filhas crescem absorvendo ferozmente a vida delas. Com exceção da Valente, da qual sou fã. Seja com filmes, seja com roupas ou com produtos, elas estão por toda a parte. Os meninos que crescem assistindo também podem criar a ideia de que eles sempre chegam para nos salvar. De quê? Ficam com a ideia de que só terminamos felizes se arrumarmos um príncipe e casarmos. Por quê?”
Em pleno século XXI ainda há quem crie os filhos fazendo uma separação entre “coisas de meninos” e “coisas de meninas”. Ou seja, existe uma linha invisível (mas muito forte) que divide e limita o que cada um pode fazer e como deve agir.
Devemos desencorajar qualquer atitude machista desde a infância. Aqui estão listados alguns absurdos que devem ser eliminados da formação das crianças:
Frases/Pensamentos Subentende-se que
Meninos não choram Só as meninas choram pq são frágeis
Rosa é cor de menina Menino tem que usar azul e menina rosa
Meninos não beijam meninos Beijo é expressão de afeto das meninas
Meninos jogam bola/ Atividades físicas só para menino(a).
Meninas dançam
São conceitos ultrapassados que não representam mais a nossa sociedade, pois vão contra as lutas pela justiça social entre os sexos. Tais conceitos são muito superficiais para nos definir. Não é uma questão de ser politicamente correto. Até porque não vivemos de discursos, vivemos, sim, das ações diárias que falam por nós e dizem quem somos e em que acreditamos.
Já viramos muitas páginas da nossa evolução, e tanto a mulher como o homem ocupam lugares diferentes dos do passado. A mulher é a autora de sua própria história. Por exemplo, ela decide se quer casar (e com quem) e se quer ter filhos. Não fica à espera de um “príncipe encantado” que vai surgir em cima de um cavalo branco e arrebatar seu coração. Felizmente não cabe mais tal passividade nos tempos de hoje.

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