Início do ano letivo. Os professores já receberam seus novos alunos e agora tentam estabelecer um vínculo positivo para que o processo de aprendizagem dos conteúdos programáticos possa fluir da melhor forma possível. Podemos dizer que estão todos “se conhecendo”.
Cada aluno com seu jeito único de ser será conduzido pela professora por caminhos que levem à construção dos saberes. E o que ditará o caminho a seguir? São tantas variáveis… por isso é muito importante que o educador esteja preparado para receber em sua turma uma criança com qualquer tipo de deficiência. É necessário que ele adote uma nova postura para lidar com as dificuldades de aprendizagem que uma criança especial venha a apresentar.
Ao falar do processo de inclusão, que como bem sabemos carece de profissionais qualificados, nos referimos aqui ao envolvimento de toda a equipe escolar, começando pelos seus gestores e diretores. Falta informação. Falta investimento. E falta incentivo…
É óbvio que a teoria é bem diferente da prática, e sabemos que no discurso tudo fica mais fácil. Mas a verdade é que pensar em inclusão como algo natural, porque todas as crianças têm o direito de estudar, já parece o inevitável caminho a seguir. Aliás o direito ao estudo para qualquer criança é garantido por lei.
A inclusão não leva em conta somente um acolhimento diferenciado aos alunos com necessidades especiais. Vai muito além disso! Vários aspectos devem estar integrados e adaptados para recebê-los:
- Medidas administrativas – precisam ser tomadas;
- Espaço físico da escola – pode necessitar de adaptações;
- Projeto Político Pedagógico – deve ser repensado para atender à diversidade;
- Currículo Escolar – outros recursos (visuais, sonoros e táteis) devem ser disponibilizados para atender a todas as necessidades;
- Funcionários – precisam ser informados e passar por um treinamento;
Todos os itens acima são muito importantes para que o processo de inclusão seja pleno, mas sabemos que os ajustes podem levar um tempo para serem feitos, e cabe à direção da escola trabalhar no seu planejamento, além de dar os passos iniciais rumo a sua completa efetivação.
A escola também deve manter o canal aberto com as famílias dos alunos com deficiência a fim de obter uma maior troca de informações.
Os treinamentos e as reciclagens sobre o tema “inclusão” são necessários com toda a equipe escolar e devem acontecer sempre que possível. As reuniões devem fazer parte de uma agenda seguindo uma periodicidade (semanal, quinzenal ou no mínimo mensal) e funcionam como um veículo para que as informações sejam passadas a todos, e assim podem favorecer ao diálogo para a troca de ideias e de experiências que deram certo ou não.
As reuniões são fundamentais em todas as direções, ou seja:
Verticais – com os profissionais especialistas (de fora da escola), equipe escolar e funcionários;
Horizontais – entre coordenação e equipe de professores;
Verticais e/ou Horizontais – entre corpo diretivo, coordenação e docentes;
O principal objetivo das reuniões verticais é passar o máximo de informações e instruções práticas para o dia a dia na escola, além de abrir espaço para tirar dúvidas gerais. Já as reuniões horizontais são pautadas em discussão de casos e reflexão de outras estratégias para trabalhar a educação inclusiva.
O importante é que as reuniões transmitam segurança para a equipe toda, que com certeza estará mais motivada em desenvolver ideias criativas para o crescimento intelectual e social não apenas dos alunos com necessidades especiais, mas sim de todos os alunos.
Quando a inclusão deixar de ser um capítulo à parte será um sinal que tanto os professores (e toda a equipe escolar) quanto os alunos transcenderam esta questão. E o tempo de descobrir, aprender e amadurecer de cada um poderá ser respeitado e compreendido.
Conforme já mencionado, o professor é o ponto central da Educação Inclusiva. Com certeza ele terá que desenvolver um projeto personalizado para o aluno com deficiência. Sobretudo é o educador quem facilita a integração dos alunos, através de suas atitudes ele é o próprio exemplo.
Podemos fazer a associação de uma turma escolar com uma orquestra sinfônica, onde cada aluno representará um músico tocando um instrumento diferente, e o professor agirá como um maestro liderando os músicos. Os ensaios serão como aulas, onde todos os alunos são importantes e devem ser participativos e ouvidos!
Assim é muito fácil perceber a importância do professor liderando uma turma de alunos. Como na regência musical em que o maestro deve coordenar, dirigir e liderar as atividades musicais realizadas em grupo, o professor deve fazer o mesmo em sala de aula.
Na educação inclusiva todos devem estar comprometidos. O caminho não é fácil, mas é possível.

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