Na primeira parte do meu TCC do curso de Psicopedagogia, proponho uma reflexão sobre os conceitos de ética e moral e qual a importância real sobre a formação do ” ser ético ” na atualidade.
Se nossos valores morais estão desgastados, ou esquecidos em uma gaveta, há necessidade em se questionar porque eles deixaram (ou não) de ser uma prioridade. E, então, quem deve assumir a tarefa de cuidar deste tema: Família ou Escola?
Há muitos pais que acreditam que, à Escola, representada principalmente por seu corpo docente, cabe o papel de educadora, ou seja, responsável pela formação moral de seus filhos também. Bem, é inegável o fato da Escola ocupar uma função cada vez mais importante na formação moral da criança, por isso mesmo o estudo do tema e a sua articulação entre as diversas áreas do conhecimento é primordial.
O envolvimento de todas as áreas proporciona um sentido prático e real à construção dos valores morais, e a Escola oferece um ambiente propício para que o aluno exercite o ” ser cidadão “, desenvolvendo sua capacidade de compreender os seus deveres para cumpri-los, e estar atento aos seus direitos para poder cobrá-los do Estado.
Conhecemos a realidade brasileira e sabemos das nossas deficiências. O próprio Estado impõe a função de educadora para a Escola. Mas há muito o que se ponderar: será que ela encontra respaldo na sociedade e no governo para enfrentar tamanha missão? De que maneira colocar em prática os Parâmetros Curriculares impostos por lei, por exemplo a Ética, sem demagogia, já que ainda tais Parâmetros se encontram em um patamar idealizado?
Não podemos nos esquecer que o professor, cuja profissão perdeu muito de seu prestígio, precisa receber mais apoio e contar com uma melhor formação, não apenas inicial como também investimentos em estudos continuados, para poder dar conta dessa demanda. O professor espera se sentir, e estar de fato amparado pela Escola, pela Sociedade e pelo Estado.
Por sua vez a Escola precisa estar ao lado de seus professores estimulando o seu crescimento constante e fortalecendo a formação de equipes interdisciplinares para que os projetos pedagógicos sejam discutidos, levados adiante e façam sentido do aspecto moral para os alunos.
Devo mencionar que hoje contamos com um aliado para essa tarefa, o psicopedagogo, que ao colaborar com os processos criativos do aluno, contribui para que ele seja autor de suas ideias e caminhe ao lado de um professor mais seguro e motivado.
O psicopedagogo também deve promover a reflexão dos vínculos Família-Escola-Professor-Aluno e ajudar a estreitar a comunicação entre todos.
A psicopedagogia está centrada nas relações humanas norteadas pela noção de bem comum e do respeito ao outro. Isto vai ao encontro da grande temática: a construção de valores morais a partir da ação e reflexão sobre ela.
Para tanto é necessário sair do plano individual e caminhar em direção ao coletivo. E a Escola é uma grande facilitadora deste espaço, por isso mesmo não deve se omitir, nem tampouco a Família pode se isentar no seu papel fundamental de formadora moral da criança. Assim a Escola se redefine como corresponsável pela formação moral da criança. Sem dúvida esta é uma grande responsabilidade social.
Enfim é preciso que cada um reveja seu papel a fim de assumir uma postura mais comprometida, se quisermos colaborar na construção de um ” ser ético “.
Estas reflexões foram aprofundadas no meu TCC de Psicopedagogia, COGEAE/PUC-SP.

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