De onde vem o medo? Será ele um monstro que permanece muitas vezes adormecido nos recônditos da mente, mas que quando evocado, surge poderoso para nos fazer mal e nos fragilizar?
Alguns adultos não sabem muito bem como tratar deste tema e acabam tentando escondê-lo debaixo do tapete a fim de evitar que as crianças se relacionem com ele.
Acreditam que, como pais, é seu papel defender o filho de possíveis dores que possam eventualmente trazer sofrimento e traumas. Mas a vida é maior do que as nossas vontades, e o medo nem sempre pode ser ocultado.
Então como lidar com o medo na infância?
Tempos atrás Rosely Sayão publicou em sua coluna um artigo muito interessante sobre o assunto, chama-se “Medo que dá medo.” Em um trecho, ela fala do medo que muitos pais têm de que seus filhos sintam medo.
Em uma tentativa de proteger os filhos, os pais acabam fortalecendo a ideia de que o medo é sempre uma emoção negativa que deve ser encoberta.
Rosely explica por que devemos deixar que este sentimento flua naturalmente no universo infantil.
“E por que é bom a criança experimentar o medo desde cedo? Porque essa é uma emoção que pode surgir em qualquer momento da sua vida e é melhor ela aprender a reconhecê-la logo na infância para, assim, começar a desenvolver mecanismos pessoais de reação.”
Refletindo por este ângulo, o medo faz parte do processo de amadurecimento da criança. Em outras palavras o medo contribui para uma tomada de atitude com mais sensatez frente a uma situação perigosa. O medo nos faz pensar.
Coragem não é a ausência de medo, e sim a capacidade de avançar apesar do medo.
Essa conhecida citação nos mostra um lado compensatório em se experienciar o medo: a possibilidade de desenvolver um outro sentimento; a coragem.
Não podemos nos esquecer que a coragem é um sentimento básico para a nossa sobrevivência. Ela só é despertada porque desejamos vencer o medo. Portanto deve ser experimentada e desenvolvida na infância, bem como a cautela, que é o contraponto entre o medo e a coragem.
A vivência de todos esses sentimentos se complementa, pois um faz sentido porque o outro existe.
O interior rico do ser humano é um misto de emoções que precisa de alternância, já que cada uma delas tem uma função definida para a formação da personalidade de uma criança.
Enfim devemos ter em mente que preparamos nossos filhos para o mundo real, onde tudo pode acontecer; coisas boas e ruins em qualquer tempo e lugar. Mas se acreditarmos que demos aos nossos filhos todos os subsídios importantes para lidar com situações diversas, com certeza ficaremos menos ansiosos.
Qual é a sua opinião sobre o assunto? Por favor mandem sugestões para discutirmos juntos.
Leia o artigo de Rosely Sayão na íntegra em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1255390-medo-que-da-medo.shtml.
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