Almodóvar é, sem dúvida, um dos maiores diretores da atualidade. Conhecido por sua maneira excêntrica de abordar temas polêmicos, desta vez assina uma produção, digamos, de gosto duvidoso. Muito embora o filme tenha o seu estilo ímpar, a história não deixa de ser um tanto quanto bizarra!
Este longa, dirigido e escrito por ele em parceria com Augustín Almodóvar, é baseado em Mygale, de Thierry Jonquet. Um filme complexo que mescla suspense e drama, alternando cenas do presente com as do passado, precisa ser assistido com atenção aos mínimos detalhes, a La Almodóvar.
Em A Pele que Habito, Antonio Banderas interpreta Roberto, um obcecado cirurgião plástico que, após as perdas de sua esposa e depois de sua filha concentra todo o seu tempo, dinheiro e conhecimento na criação de uma pele similar à humana, sensível ao toque, mas muito mais resistente. O tal médico, uma espécie de Dr. Frankenstein moderno, aliás uma boa definição que li à respeito do personagem, ousa ir mais longe, pois sofre da síndrome de Deus, por se achar o todo poderoso. Roberto, que se coloca acima do bem e do mal, ao recriar sua mulher através da ciência, transforma-se em um sádico capaz de torturar uma cobaia humana e realizar experiências sem o consentimento desta e ter um comportamento anti-ético, pois faz uso de métodos proibidos.
Tudo se encaixa perfeitamente à medida que a trama vai se desenrolando, e questões tão contraditórias vão sendo pontuadas: a dor provocada por uma queimadura e o sofrimento causado pela perda de um ente querido, ambos podem atingir camadas mais profundas de um ser; a justiça que vira vingança desmensurada e passa por cima dos valores morais de nossa sociedade, o poder de alguns que acaba atravessando os desejos e vontades do outro; a identidade sexual atropelada pelos delírios alheios num clima insano; a sanidade extraída do local mais doentio, a prisão. Enfim os limites sendo testados e desafiados, uma noção que algumas pessoas perdem ou simplesmente não têm.
O filme impecavelmente dirigido, muito bem alinhavado num todo, assim como um corpo, com seus membros e cabeça, termina com uma ponta de otimismo; é possível a reconstrução de uma vida a partir dos retalhos, daquilo que sobrou, mas para isso haja paciência e muita terapia!!
Ficha Técnica
Dirigido por
Com
Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredesmais ![]()
Nacionalidade
Duração
1hr. e 57 min.

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