Ainda neste cenário de guerra no trânsito não poderíamos esquecer, é claro, de dedicar um espaço para os nossos destemidos ciclistas e motociclistas. Este batalhão de guerreiros que deslizam entre carros, ônibus e caminhões competindo o espaço entre si, espremendo-se por entre eles, ajeitando-se como possível, alguns, inclusive, arriscando a própria vida, o que muitas vezes (muitas mesmo) acontece.
Mas esta luta desenfreada é inglória.
Como resolver esta questão?
A nossa cidade não está preparada para acolher a circulação de motocicletas, muito menos de bicicletas nas ruas. O trânsito é caótico em qualquer canto a qualquer horário, e suas regras são burladas constantemente. A desordem está geral, como uma orquestra desafinada que precisa de um maestro para por ordem na casa.
Nos últimos anos temos assistido, calados e de braços cruzados, a uma invasão de motos por toda a cidade. Por conta das facilidades para a sua aquisição e da necessidade de um transporte mais rápido e barato, cada vez mais pessoas optam em usá-las. E mesmo conscientes dos riscos, acreditam que, ainda assim, vale a pena.
No caso das bicicletas, muito usadas para o lazer, os riscos de acidentes graves também existem, mesmo com a adoção de acessórios de segurança e roupas de proteção. Apesar das passeatas e mobilizações procurarem esclarecer e incentivar o seu uso de uma forma correta, estamos longe de alcançar o patamar onde todos os veículos transitam pacificamente pela cidade.
Na Europa a conscientização de que a bicicleta é um meio de transporte ideal, pois propicia a possibilidade de exercício físico, ocupa menos espaço nas ruas e ainda contribui para a diminuição da poluição do ar e da sonora, já está integrada à cultura há vários anos e faz parte dos costumes do povo.
Bem, lá é outra história… Não há parâmetros para comparação.
Voltando ao nosso querido e incipiente Brasil, e falando especificamente da capital paulistana, podemos ver em alguns bairros muitas ciclovias com avisos de horários de circulação. Mas, então, esbarramos numa outra questão: Será que esses bairros comportam esta demanda? Houve um planejamento bem estruturado que se preocupasse com o trânsito nas imediações destes bairros? Francamente, acho pertinente o descontentamento dos moradores dessas regiões.
Ao meu ver, pouco adianta importar ideias de primeiro mundo, se ainda pensamos e agimos como terceiro.
Falta conhecimento, educação e orientação. E isto está longe de acontecer.
De qualquer forma, o desejo de mudança é legítimo, e a conquista do espaço vem acontecendo a duras pedaladas. Só nos resta torcer para que estes bravos guerreiros tenham muita sorte. E quanto a nós, motoristas, dirigir com o máximo cuidado e sempre atentos aos retrovisores.
* Texto escrito com a colaboração de Helena Sazalis
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